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Papa alerta para isolamento online e fake news


A mais recente encíclica do Papa Francisco (Fratelli Tutti, aqui em português), publicada no dia 3 de outubro dedica uma parte importante à forma como nos relacionamos online e aos riscos que isso coloca para a comunidade.

Francisco adverte para a aparente contradição entre o “isolamento consumista” e a forma “constante e obsessiva” como nos relacionamos com os outros nas redes sociais. “Isto favorece o pululamento de formas insólitas de agressividade, com insultos, impropérios, difamação, afrontas verbais até destroçar a figura do outro, num desregramento tal que se existisse no contacto pessoal acabaríamos todos por nos destruir entre nós. A agressividade social encontra um espaço de ampliação incomparável nos dispositivos móveis e nos computadores”, descreve o ponto 44 da encíclica, significativamente intitulado “agressividade despudorada”.

Para o Papa, esta nova realidade online “permitiu que as ideologias perdessem todo o respeito”, favorecendo a polarização política e dando voz ao “vírus” que é o racismo. “A história dá sinais de regressão. Reacendem-se conflitos anacrónicos que se consideravam superados, ressurgem nacionalismos fechados, exacerbados, ressentidos e agressivos:”

Por isso, continua o texto papal, “aquilo que ainda há pouco tempo uma pessoa não podia dizer sem correr o risco de perder o respeito de todos, hoje pode ser pronunciado com toda a grosseria, até por algumas autoridades políticas, e ficar impune”. 

Voltando a incluir um parágrafo que alerta para o perigo das Fake News e para o peso desregulado das plataformas online, tal qual como o escrevera na exortação apostólica Christus Vivit (aqui em português), Francisco acrescenta: “Não se pode ignorar que «há interesses económicos gigantescos que operam no mundo digital, capazes de realizar formas de controle que são tão subtis quanto invasivas, criando mecanismos de manipulação das consciências e do processo democrático. O funcionamento de muitas plataformas acaba frequentemente por favorecer o encontro entre pessoas com as mesmas ideias, dificultando o confronto entre as diferenças. Estes circuitos fechados facilitam a divulgação de informações e notícias falsas, fomentando preconceitos e ódios.”