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Twitter decidiu banir a campanha de fake news mais estranha de sempre


A rede social Twitter anunciou em Julho que decidiu banir milhares de contas que espalhavam mensagens e teorias da conspiração de uma das mais bem sucedidas campanhas de desinformação de sempre. A campanha ficou conhecida por um nome: QAnon.

O Twitter garantiu também que iria impedir qualquer referência relacionada com a campanha QAnon de aparecer nos seus tópicos de tendências e pesquisa, e que não permitiria aos utilizadores colocar links relacionados com esta teoria na sua plataforma.

Esta foi a primeira vez que um serviço de media social tomou medidas abrangentes para remover conteúdo afiliado à QAnon, que se tornou cada vez mais popular no Twitter, Facebook e YouTube.

As teorias QAnon provêm de uma pessoa ou grupo de pessoas anónimas que utilizam o nome "Q" e afirmam ter acesso a segredos governamentais que revelam uma conspiração contra o Presidente Trump e os seus apoiantes. Essa informação supostamente classificada foi inicialmente colocada em quadros de mensagens antes de ser difundida nas principais plataformas da Internet e motivou um número significativo de partilhas, bem como a actos de violência física, explica o The New York Times.

As teorias QAnon partilham temas semelhantes com o Pizzagate, uma teoria da conspiração popularizada antes das eleições presidenciais de 2016 que avançou a tese sem fundamento de que a candidata democrata, Hillary Clinton, e as elites partidárias do seu partido estavam a dirigir uma rede de tráfico sexual de crianças a partir de uma pizzaria de Washington. Em Dezembro de 2016, um pistoleiro vigilante apareceu no restaurante com uma espingarda de assalto e abriu fogo. A The Atlantic publicou um trabalho de fundo sobre esta estranha teoria da conspiração

"QAnon não é um discurso político convencional", explica Alice Marwick, professora de comunicação na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. "É uma teoria da conspiração que faz afirmações selvagens e acusações sem fundamento sobre actores políticos e pessoas inocentes".

Mais de dois anos após QAnon ter emergido dos cantos infestados de trolls da Internet, os apoiantes do movimento, que o F.B.I. rotulou como uma potencial ameaça de terrorismo interno, estão a crescer na corrente dominante do Partido Republicano. Não é claro quantos candidatos, na sua maioria republicanos, concorrem sob a bandeira do QAnon. Algumas estimativas colocam o número em uma dúzia, e espera-se que alguns ganhem nas eleições de Novembro próximo.

Alguns dos candidatos procuraram divulgar um princípio fundamental da conspiração de QAnon: que Trump concorreu ao cargo para salvar os americanos de um estado dito profundo, cheio de burocratas que abusam de crianças e que adoram o diabo. Segundo uma das ideias falsas da QAnon, os inimigos do presidente são democratas proeminentes que extraem hormonas do sangue das crianças.

O presidente tem repetidamente aplaudido os candidatos que apoiam abertamente esta teoria da conspiração

Ao longo de várias semanas, o Twitter removeu 7.000 contas que postaram textos da QAnon, disse uma porta-voz da empresa. As contas tinham estado cada vez mais activas, e tinham estado envolvidas em campanhas de assédio coordenadas no Twitter ou tinham tentado escapar a uma suspensão anterior, criando novas contas depois de uma conta antiga ter sido apagada.

Mais 150.000 contas serão ocultadas das tendências e pesquisas no Twitter, acrescentou a porta-voz.