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Como parar a corrente das fake news?


A cada dia que passa, num tempo de mudança política rápida, a informação disponível parece infinita, o mundo parece estar todo num telemóvel. Por contra-intuitiva que possa parecer, esta ideia torna a importante tarefa de nos informarmos cada vez mais árdua, em particular por se ter tornado tão difícil distinguir a verdade da mentira.

E isso é importante? Se pensarmos nas notícias como a ferramenta que nos ajuda a tomar decisões, sim, é. E muito. As notícias devem dizer-nos o que está a acontecer e porquê , permitindo-nos assim formar opiniões e agir, em sociedade. Se a informação que temos é falsa, as nossas opiniões serão frágeis, e quando muitas opiniões se baseiam em falsidades, em preconceitos, em erros ou falácias, a nossa vida comum - a democracia - está em risco. Numa era digital, em que mais e mais pessoas se informam a cada segundo, é fundamental sabermos distinguir uma notícia de um boato, bem como termos a capacidade de avaliar criticamente a informação que recebemos.

Só o Facebook tem mais de 2,3 mil milhões de utilizadores, entre os 7,5 mil milhões de seres humanos que vivem no planeta, o que significaria que quase um terço da população tem uma conta nesta rede social, se tomarmos como boa a ideia (errada) de que um utilizador é sempre uma pessoa. Muitas vezes, um “perfil” não passa de uma identidade falsa, muitas vezes gerida por um programa de computador, que se mostra com um nome e uma foto, mas não existe na realidade. 

Seja como for, é muita gente, em particular se considerarmos que o país mais populoso do mundo, a China, não permite a sua utilização.

Em Portugal, há seis milhões de contas, o suficiente para que uma eficaz campanha de manipulação consiga ter efeitos sobre a maioria da população.

E isso deve preocupar-nos. Porque, na verdade, é o nosso nome que aparece quando sociabilizamos online. É a cada um de nós que cabe, antes de partilharmos qualquer coisa nas redes sociais ou de difundirmos qualquer informação a quem nos está mais próximo, fazer as perguntas certa: «Isto é verdadeiro ou é falso?» A falsidade deixa rasto. Quantas vezes pensamos: «Nunca ouvi falar deste site ou da pessoa que publica esta história», «Nenhum jornal deu esta notícia», «O endereço (URL) e o formato da notícia é estranho», «Há tantos erros na escrita, parece tradução automática», «Não há citações de nenhuma pessoa», «A notícia está anunciada de forma estranha: “Clica aqui e vais ver uma coisa

extraordinária”», «As imagens parecem fabricadas.»

Se aprendermos a ler a informação a que somos diariamente expostos – e que procuramos, também -, seremos mais capazes de a filtrar e escolher. Para percebermos se uma história é parcial deveremos saber colocar-nos algumas questões no momento da leitura: se a história só mostra as coisas de uma perspetiva; se a notícia sugere que os leitores façam alguma coisa, ou pensem de determinada forma; se o título é enganador – sim, é parcial.

A informação verdadeira procura chegar à verdade – não à verdade filosófica, mas àquela aproximação que nos é útil para sabermos mais, razão pela qual as notícias se baseiam em factos. Se os factos apresentados não são baseados em nenhuma prova (citações, documentos, imagens, links), então a notícia pode ser ou parecer um rumor, uma especulação.

É por isso que a desinformação, por muito profissional e organizada que seja, depende sempre da nossa colaboração. Há uma pergunta que devemos fazer, sempre: vou ou não partilhar esta história? Quando temos dúvidas é melhor não o fazer, por muito que o tema nos pareça importante.

 

Paulo Pena